Cidade 15 minutos


Restaurantes e cafés em todo o país tiveram que fechar seus negócios por causa da pandemia.
Depois da primeira onda, quando os restaurantes e cafés começaram a reabrir, as autarquias autorizaram os negócios a construir salas de jantar ao ar livre, que ocupam lugares na rua antes reservados para estacionamento, motivando a expansão das refeições ao ar livre como alternativa exigida pela pandemia COVID-19.

Jantar ao ar livre foi uma tábua de salvação para restaurantes, mas os consumidores passaram a querer que as estruturas criadas nos passeios se tornassem uma parte permanente da paisagem urbana da cidade, em vez de transformá-las novamente em estacionamentos de rua. A vivência dos cidadãos, confrontados com as obrigatórias medidas de segurança e exigências sanitárias, criou a necessidade de orientação e sinalização clara e dirigida, garantida pelo projeto de wayfinding, na valorização do ambiente e património, melhorando o desempenho dos territórios. A experiência é indicativa de como privilegiar a melhoria da capacidade da caminhada e do acesso de pedestres aos escritórios e comércio, em vez do tráfego e do estacionamento, levando as cidades a adotar um conceito de planeamento urbano denominado – Cidade de 15 Minutos.


O conceito de Cidade 15 Minutos, promove a mobilidade e acessibilidade, para que todas as pessoas tenham acesso a todos os bens e serviços de que precisam a uma distância de 15 minutos de sua casa (as especificidades do significado estão sujeitas a debate, da utilização dos 15 minutos de bicicleta ou a pé).
Independentemente disso, a ênfase está nas opções de transporte multimodal que são priorizadas para a pessoa como alternativa ao carro. A valorização da mobilidade urbana com equidade e inclusão, num ambiente seguro e confortável, promovendo o sistemático ajustamento da procura no apoio das ações de sensibilização, garantindo a segurança e confiança sanitária com planeamento centrado no pedestre, tem sido centrado no movimento do Novo Urbanismo, um conceito de design no qual os autores constroem casas, lojas, serviços essenciais e oportunidades de trabalho nas proximidades, às vezes nas mesmas propriedades das zonas residenciais. Esses empreendimentos também são tipicamente construídos em torno de ruas que priorizam os pedestres aos carros, fornecendo o fácil acesso ao transporte público.

Muito do que adaptamos em todo o país com restaurantes e cafés ao ar livre, as ruas que foram parcialmente fechadas criando mais espaço para pedestres, o que tem sido interessante é ver o quanto as cidades desenvolvem políticas que deveriam ser temporárias, mostram que esta era uma forma de testar e experimentar. Mudanças que não apenas melhoram a saúde e a economia das cidades, patrocinando a conexão social numa época em que as pessoas estavam isoladas umas das outras. Cidade de 15 minutos, não são apenas caminhadas e ciclismo.

Criar uma política global, não é tão simples quanto expandir calçadas ou substituir um estacionamento por uma esplanada. As cidades devem reformar seus códigos de uso do solo existentes, com infraestrutura local e transporte intermunicipal, a futura paisagem urbana promete ser muito diferente de hoje. Uma cidade 15 minutos construída em torno da mobilidade e acessibilidade por meio de transporte não motorizado, pode mudar a maneira como os especialistas pensam sobre bairros, tornando os carros desnecessários em todos os aspetos do transporte pessoal.

Carlos Mateus, 2021

Categorias OPINIÃO

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Design a site like this with WordPress.com
Iniciar
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close